Um dia eu acordei e me vi perdidamente apaixonada, daquele tipo que pra respirar só dava certo se eu pensasse em você e que o meu maior medo era um dia acordar e não te ter mais, para mim isso seria o fim. Minha vida só passou a ter sentido quando eu te conheci, e eu só era feliz se estivesse com você, mas de repente tudo isso acabou e eu perdi o chão.
A partir daquele dia que sentido a minha vida tinha? Pareceu até nunca ter tido sentido. Que motivo eu tinha pra viver sem você ali do meu lado?
Cada dia era um martírio, ter que acordar era algo parecido com ressuscitar de uma morte doída todos os dias, o oxigênio me faltava quando eu me dava conta de que eu ainda estava ali, e o pior, sem você.
E isso tudo me fez refletir, a que ponto chega a estupidez de um ser humano ao achar que a sua vida só tem sentido se outro alguém estiver nela? Que antes de você eu não tinha vida? Que mediocridade é achar isso, achar que só porque o amor é um sentimento avassalador devemos nos deixar ser derrotados por ele?
Mas mesmo tendo refletido, minha vida parecia não ter o mesmo sentido que sempre teve. E aí eu acordei, o meu cordão umbilical era só meu, não me lembro, durante toda a estadia minha no útero da minha mãe, você estar por lá, me fazendo companhia ou me dando o oxigênio que hoje você costumava me dar, ou pelo menos eu achava que me dava. Daí comecei a lembrar que você não estava presente no meu primeiro tombo, na minha primeira palavra ou no meu primeiro passo e o pior: nem no meu primeiro beijo. Então como que uma pessoa que não participou dessa forma da minha vida e que não esteve presente em grande parte dela tem o direito de fazer isso comigo? Ir embora e levar a minha alma? Pois é, essa é a questão: não tem. E eu sei que você não quis fazer isso em momento algum, finalmente eu aprendi que não preciso de você e nem de ninguém pra sobreviver. A ignorância nos cega, dar a vida que sempre foi sua a outra pessoa não te faz digno de tê-la de volta.
Os meus capítulos estão mais dramáticos, essa é a parte do meu romance em que eu não queria estar vivendo. Decidi torná-los menores, e às vezes costumo nem transformá-los em capítulos, porque, sabe? Às vezes não vale a pena.
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